A pré-candidatura do Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 foi confirmada como um ponto sem volta. Em uma declaração incisiva nesta terça-feira (9), após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na prisão da Polícia Federal em Brasília, o parlamentar classificou sua decisão como “irreversível”.
O anúncio, feito originalmente na sexta-feira (5), agitou o tabuleiro da direita e consolidou o nome do filho como o sucessor do patriarca no campo eleitoral, mantendo o sobrenome Bolsonaro no topo da chapa.
Questionado sobre a declaração anterior de que haveria um “preço” para retirar sua candidatura, Flávio Bolsonaro esclareceu que sua única condição seria a aprovação da anistia para seu pai.
“Meu preço é o Bolsonaro livre, e nas urnas. Ou seja, não tem preço. Essa é a conclusão. Vamos explicar, porque parece que eu estou me colocando à venda, e não é isso”, afirmou.
A fala revela a verdadeira estratégia por trás do lançamento: transformar a pré-candidatura em um instrumento de pressão direta sobre o Congresso para aprovar o perdão político a Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por tentativa de golpe e inelegibilidade .
Apesar de o mercado financeiro ter reagido mal ao anúncio, com queda da Bolsa e alta do dólar, a primeira pesquisa realizada pelo Instituto Veritá aponta que Lula empataria com Flávio Bolsonaro em intenções de votos em um eventual segundo turno. O levantamento coloca Flávio com 39,2% das intenções de voto, enquanto o petista mantém 39,8%.
O pré-candidato afirmou ainda que não importa quem irá para o segundo turno. “Eu tenho a convicção que a gente vai tirar o Lula porque essa é a solução para o Brasil”.
Na segunda-feira (8), o senador organizou um jantar estratégico que reuniu algumas das principais lideranças do chamado Centrão e da direita tradicional, incluindo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. O União Brasil, representado por Antônio de Rueda, e o Republicanos (Marcos Pereira foi convidado, mas ausente) também integraram o encontro. O senador demonstrou que o apoio partidário de peso está sendo costurado nos bastidores.
A declaração de Flávio à imprensa mostra um “Bolsonaro” mais centrado e moderado para as eleições de 2026, posicionamento que pode angariar mais votos de centro-direita.

