O presidente Lula assinou o projeto que cria milhares de novas vagas no serviço público federal. O texto, de autoria do próprio Executivo, já havia passado pela Câmara em fevereiro e pelo Senado em março. A medida foca em áreas como educação, cultura e regulação, além de conceder reajustes salariais expressivos para carreiras de Estado.
Os números do impacto
Total de vagas: 17.800 novos cargos.
Distribuição principal: 16.300 vagas para professores e técnicos no Ministério da Educação e 1.500 cargos no Ministério da Gestão e Inovação.
Custo estimado: R$ 5,3 bilhões apenas no ano de 2026.
Supersalários: Auditores fiscais da Receita Federal na classe especial, por exemplo, verão o vencimento básico subir para R$ 32.504,91 a partir de abril de 2026.
A lei também cria o Instituto Federal em Patos, na Paraíba, base eleitoral do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Presente no evento de sanção, o parlamentar agradeceu publicamente ao presidente pelo que chamou de “realização de um sonho”. Nos bastidores, a medida é vista como um gesto explícito do Palácio do Planalto para garantir a fidelidade da liderança da Câmara em votações estratégicas ao longo do ano.
A sanção dessa lei é a prova cabal de que o governo opera em uma realidade paralela à do cidadão comum. No mesmo período em que o presidente do Banco Central avisa que o país corre o risco de estagnação e inflação alta devido à crise internacional, o Planalto opta por aumentar o gasto fixo da União em mais de R$ 5 bilhões.
Ao presentear o presidente da Câmara com uma instituição federal e azeitando a base aliada com milhares de contratações, o governo tenta comprar a estabilidade que a economia real não consegue entregar. O custo de manter o apoio parlamentar ficou caro demais, e quem paga a conta é o pagador de impostos.

