Enquanto o governo tenta emplacar narrativas de otimismo, a realidade dos números impõe uma dura derrota política ao Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra o ano de 2025 com a desaprovação de 50,9% dos brasileiros, segundo o mais recente levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda-feira (29).
Os dados consolidam uma tendência de queda que se arrasta por todo o ano. A aprovação do petista minguou para 45,6%, um reflexo claro da insatisfação popular com a condução econômica e a insistência em pautas ideológicas. Para a maioria dos eleitores, o governo é avaliado como ruim ou péssimo (42,8%), enquanto apenas 32,7% ainda o veem como ótimo ou bom.
O contraste econômico: O custo do gasto público
O descontentamento não é gratuito. Enquanto Milei, na Argentina, celebra um superávit histórico e inflação em queda livre, o Brasil sob o PT termina 2025 com a taxa Selic em alarmantes 15% ao ano — o maior nível desde 2006. O mercado financeiro, via Boletim Focus, projeta um crescimento medíocre do PIB para 2026, na casa de apenas 1,8%, enquanto a inflação segue pressionada pelo descontrole fiscal.
Os números da rejeição por segmento:
Homens: 54,8% desaprovam a gestão.
Evangélicos: A rejeição salta para impressionantes 63,1%.
Região Sul: Recorde de desaprovação com 60,7%.
Escolaridade: Quanto maior o grau de instrução, maior o índice de rejeição ao governo.
Corrida 2026: Direita avança e ameaça hegemonia petista
A impopularidade de Lula já transborda para o cenário eleitoral de 2026. Em uma eventual disputa de segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encurtou drasticamente a distância, aparecendo em empate técnico com o atual presidente. A diferença, que era de sete pontos em novembro, caiu para apenas três pontos percentuais (44,1% contra 41%).
Outro nome que assombra os planos de reeleição do PT é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Considerado o candidato mais viável pela sua baixa rejeição e perfil técnico, Tarcísio aparece colado em Lula (44% a 42,5%), demonstrando que o eleitor brasileiro busca alternativas de centro-direita que priorizem a gestão em vez do assistencialismo populista.
“A conta chegou. O brasileiro percebeu que o discurso de ‘picanha e cerveja’ foi substituído por juros altos, inflação de alimentos e um Estado cada vez mais pesado”, avaliam analistas políticos alinhados ao campo conservador.
O sucesso das reformas liberais na Argentina serve como um espelho incômodo para Brasília. Enquanto Buenos Aires remove amarras estatais, o Brasil de Lula encerra 2025 patinando em incertezas fiscais e perdendo o apoio da classe média e do setor produtivo.
O instituto ouviu 2.038 pessoas em todo o país entre 18 e 22 de dezembro.
A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

