O Itamaraty admitiu em documento oficial que os Estados Unidos podem recorrer ao uso da força militar em território brasileiro para enfrentar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), após a classificação das facções como organizações terroristas. A resposta assinada pelo chanceler Mauro Vieira foi enviada à Câmara dos Deputados e reconhece que a medida norte-americana pode justificar operações extraterritoriais, incluindo ações militares, além de sanções financeiras e migratórias. A iniciativa de Washington é vista como parte da estratégia global de combate ao crime organizado transnacional.
Vieira destacou que não houve comunicação formal do governo americano, mas ressaltou que a decisão é um ato unilateral que não exige manifestação oficial do Brasil. Ainda assim, o governo Lula declarou oposição à medida. O chanceler reconheceu que a classificação pode atingir instituições brasileiras ligadas ao sistema financeiro e ao setor penal. No entanto, especialistas apontam que a postura dos EUA fortalece o combate internacional às facções criminosas, que atuam além das fronteiras nacionais e representam ameaça à segurança regional.
No âmbito do Mercosul, a decisão de Washington pode gerar pressões sobre países vizinhos, como Argentina e Uruguai, que mantêm relações próximas com os EUA. Instituições financeiras e empresas do bloco poderiam ser afetadas por sanções secundárias caso tenham vínculos indiretos com organizações ligadas às facções. Apesar das críticas do governo, diplomatas avaliam que a medida norte-americana reforça a necessidade de maior cooperação internacional contra o crime organizado, colocando à prova a capacidade do Brasil de liderar uma resposta coordenada no Mercosul.

