O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou neste domingo (2) que operações policiais em comunidades não são suficientes para combater o crime organizado. A declaração ocorre dias após a megaoperação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 117 criminosos e na prisão de 113 membros de facções. Mendes defendeu que o enfrentamento à criminalidade exige ações coordenadas entre diferentes órgãos do Estado, com foco em inteligência e rastreamento financeiro do tráfico.
Segundo o magistrado, a violência das facções ultrapassa os limites estaduais e demanda uma resposta integrada. Ele citou a ADPF 635, julgada pelo STF, como exemplo de medida estrutural, destacando a importância de investigações financeiras conduzidas pela Polícia Federal. Mendes também apontou o papel de órgãos como o Coaf, a Receita Federal e as secretarias estaduais de Fazenda na identificação e no bloqueio de recursos ilícitos que sustentam o tráfico de drogas, armas e outras atividades criminosas.
Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a preservação rigorosa de provas da operação Contenção, atendendo a pedido da Defensoria Pública da União. A medida inclui a documentação de perícias e cadeias de custódia, visando garantir o controle do Ministério Público. A operação, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, revelou a presença de criminosos de pelo menos oito Estados, evidenciando a atuação interestadual das facções. Entre os mortos, 39 eram de fora do Rio, segundo a Polícia Civil.













