Enquanto o mundo se reorganiza diante de ameaças transnacionais como o narcotráfico, o terrorismo e o autoritarismo, o Brasil parece caminhar na contramão da história. Em vez de se alinhar com democracias que defendem liberdades fundamentais e combatem o crime organizado, o governo Lula insiste em manter uma postura hostil ao americanismo e, por extensão, ao esforço internacional liderado por Donald Trump contra o regime de Nicolás Maduro. A retórica do presidente brasileiro, que acusa os Estados Unidos de agirem como “imperador do planeta Terra”, revela não apenas um ressentimento ideológico, mas uma perigosa miopia geopolítica.
Enquanto Argentina, Paraguai e Equador classificam o Cartel de los Soles — ligado diretamente ao regime chavista — como organização terrorista, o Brasil permanece em silêncio. O governo Trump, por sua vez, intensificou a pressão sobre Maduro, enviando destróieres e submarinos nucleares para a costa venezuelana com o objetivo de interceptar rotas de narcotráfico que abastecem o mercado norte-americano. A resposta de Caracas foi pedir apoio à ONU, alegando que os EUA inventam “narrativas falsas” para justificar ações militares. E o Brasil? Nenhuma palavra de apoio à luta contra o narcotráfico. Nenhuma condenação ao regime que viola direitos humanos e coopera com cartéis criminosos.
Essa omissão não é neutra, mas é entendida como cúmplice. Ao se recusar a reconhecer Maduro como ditador — mesmo após evidências de fraude eleitoral e repressão violenta — Lula e o PT se colocam ao lado de regimes que desprezam a democracia. Embora o governo brasileiro tenha evitado declarações explícitas de apoio a Maduro, o silêncio é ensurdecedor. E mais: ao criticar Trump por “ameaças ao mundo inteiro”, Lula ignora que o verdadeiro perigo está em regimes como o de Putin, que invadem países vizinhos, e o de Maduro, que coopta milícias e cartéis para se manter no poder.
O Brasil corre o risco de se isolar como o Irã, a Coreia do Norte ou Cuba — países que insistem em modelos ditatoriais e enfrentam sanções internacionais. A recente desarticulação do BRICS, segundo especialistas, é um reflexo da falta de credibilidade do governo brasileiro no cenário global. Enquanto isso, países latino-americanos com governos de esquerda e direita mantêm relações diplomáticas normais com os Estados Unidos, reconhecendo que o pragmatismo comercial e a cooperação internacional são mais eficazes do que discursos ideológicos.
Lula afirma que está disposto a negociar com Trump, desde que o Brasil seja tratado como igual. Mas igualdade não se conquista com bravatas. Se o Brasil deseja ser respeitado, precisa demonstrar responsabilidade internacional, condenar o narcotráfico, defender a democracia e se posicionar contra ditaduras. O mundo não tolera mais ambiguidade moral. A soberania não é escudo para omissão.
A retórica antiamericana pode render aplausos em palanques ideológicos esvaziados, mas custa caro no mercado internacional. Investidores observam com cautela um país que se afasta de seus principais parceiros comerciais e se aproxima de regimes instáveis. A diplomacia brasileira precisa urgentemente de um realinhamento. O Brasil não pode se dar ao luxo de virar as costas para o Ocidente enquanto o crime organizado avança em suas fronteiras.
Se o governo Lula continuar a flertar com o isolacionismo e a relativização da democracia, o Brasil corre o risco de perder não apenas relevância internacional, mas também sua própria identidade como nação livre. O tempo de neutralidade acabou. É hora de escolher de que lado da história o Brasil quer estar.









