Em meio a uma crise financeira prolongada, os Correios admitem perda de clientes e revelam dificuldades para manter a operação. Documentos internos da Diretoria Econômico-Financeira apontam que a estatal entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado pela baixa qualidade dos serviços e pela incapacidade de gerar caixa suficiente para cumprir obrigações básicas. A situação expõe a fragilidade da empresa, que vem sendo sustentada por empréstimos bilionários sem resultados concretos na melhoria da eficiência.
O relatório mostra que a estatal deixou de pagar R$ 3,7 bilhões em fornecedores, empregados e tributos até setembro de 2025. Além disso, houve uma queda de R$ 3,23 bilhões nas entradas de caixa em comparação ao mesmo período de 2024, representando retração de 17,6%. A diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo destacou que “formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional”. Segundo o documento, a insuficiência de caixa é hoje o maior risco para a sustentabilidade da empresa.
A crise operacional também se reflete nos prazos de entrega. Nenhuma unidade estadual atingiu a meta de desempenho até setembro de 2025, ficando o índice nacional em 90,18%, abaixo da meta de 95,54%. A região Norte concentrou os piores resultados, com Roraima registrando apenas 64,84% das entregas dentro do prazo. O levantamento mostra que a estatal não conseguiu cumprir compromissos com grandes clientes, responsáveis por mais da metade da receita, o que compromete ainda mais a confiança no serviço público de logística.

