Pesquisa BTG/Nexus acende sinal de alerta na pré-campanha do PL. Ataques de influenciadores radicais à ex-primeira-dama aprofundam crise e obrigam Valdemar Costa Neto a antecipar retorno ao Brasil para conter danos.
O alerta máximo foi ligado nos bastidores do Partido Liberal (PL). Os reflexos do recente atrito público envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro já começaram a ser contabilizados nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com o mais recente levantamento BTG/Nexus, coletado entre 26 e 28 de junho, a rejeição de Flávio Bolsonaro entre o eleitorado feminino subiu de 56% para 58% em um intervalo de apenas quinze dias, encostando no teto da margem de erro. Em contrapartida, a desaprovação entre os homens recuou de 48% para 43% no mesmo período.
A oscilação negativa entre as mulheres coincide diretamente com a ampla divulgação de um vídeo em que Michelle, na condição de presidente do PL Mulher, desabafou sobre as resistências e reprimendas que vinha sofrendo dos enteados ao tentar participar das definições eleitorais do partido no Ceará. O erro estratégico da campanha, contudo, não parou no desabafo familiar: influenciadores da ala mais radical e aliados do deputado Eduardo Bolsonaro inflaram a crise ao iniciarem ataques coordenados contra Michelle nas redes sociais, com declarações machistas ultrajantes que chegaram a questionar a capacidade de voto das mulheres.
A gravidade do racha interno forçou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a antecipar seu retorno de uma viagem a Miami para atuar como bombeiro. Em tom de forte preocupação, Valdemar alertou que a desunião pode custar a eleição presidencial, lembrando que Flávio está tecnicamente empatado com o presidente Lula. O dirigente partidário fez questão de blindar Michelle, afirmando que o trabalho dela à frente do PL Mulher “não tem preço”. O episódio escancara o perigo do radicalismo de internet, que sabota a construção de uma candidatura de oposição viável e profissional ao afastar o voto feminino — segmento que analistas políticos apontam como o verdadeiro fiel da balança para o pleito de 2026.
A pesquisa ouviu 2.009 eleitores por telefone entre os dias 26 e 28 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-08521/2026.

