Apesar dos dados que evidenciam uma queda na qualidade de vida do brasileiro, Lula declarou em reunião ministerial que o país estaria “infinitas vezes melhor” do que na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No encontro realizado no Palácio do Planalto, o petista confirmou Geraldo Alckmin como vice em sua chapa de reeleição e reforçou que a estratégia de campanha será comparar os resultados de seu governo com os da administração anterior. Ministros exibiram gráficos e destacaram supostos avanços sociais e econômicos, como a redução da pobreza e a reorganização de políticas públicas.
Entretanto, os números oficiais mostram um cenário de dificuldades para a população. O salário mínimo, fixado em R$ 1.621 em 2026, não cobre o custo de vida médio de R$ 3.520, o que obriga famílias a destinar cerca de 60% da renda apenas para despesas básicas. A inflação, embora dentro da meta, acumulou altas sucessivas que corroeram o poder de compra. Além disso, os combustíveis registraram aumentos expressivos, com a gasolina atingindo R$ 6,99 por litro em abril, resultado de reajustes tributários e da política de preços da Petrobras.
A crise nas estatais e a elevação da carga tributária também contrastam com o discurso otimista do governo Lula. Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 6 bilhões e projeções de déficit recorde de R$ 10 bilhões. Desde 2023, foram implementadas ao menos 28 medidas de aumento ou criação de tributos, incluindo a “taxa das blusinhas” sobre importações de baixo valor e a reoneração de combustíveis. Paralelamente, facções criminosas ampliaram sua presença nas regiões Norte e Nordeste, mantendo índices de violência acima da média nacional, em desacordo com a narrativa de que o país estaria em situação “infinitamente melhor”.

