Alcolumbre e Hugo Motta ignoram ato de Lula sobre o 8 de Janeiro

Redação 011
4 Min
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foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Palácio do Planalto prepara para esta quinta-feira mais uma edição do evento em alusão ao 8 de janeiro, mas o cenário que se desenha é de isolamento político para o governo Lula. Os dois nomes de maior peso no Legislativo brasileiro, Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e do Congresso, e Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, já confirmaram que não comparecerão à solenidade.

A ausência das cúpulas do Legislativo não é apenas uma questão de agenda; é um reflexo do desgaste de um evento que muitos setores da direita e do centro enxergam como uma tentativa de “monopolização narrativa” por parte da esquerda e dos movimentos sociais ligados ao PT.

Justificativas e o recado político

Enquanto Alcolumbre permanece em sua base eleitoral no Amapá, aproveitando o recesso para agendas locais, Hugo Motta limitou-se a alegar “compromissos pessoais” para justificar o desfalque. O esvaziamento do ato tem se tornado uma marca recorrente. Nos últimos anos, a cerimônia — que Lula tenta transformar em um marco de “defesa da democracia” — tem sofrido com a baixa adesão de autoridades que não compõem a base ideológica direta do governo.

Até o momento, nem mesmo a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, foi confirmada, o que pode deixar o palco restrito a ministros de Estado e militantes.

O uso político da “democracia”

O governo não esconde a intenção de usar o palanque para acenar à sua militância. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), já adiantou que o discurso focará em “soberania e paz”, tentando conectar os eventos de 2023 à atual conjuntura internacional.

Para analistas políticos alinhados à direita, o evento serve como cortina de fumaça para pautas que realmente preocupam o brasileiro, como a economia e a segurança pública. Além disso, há uma forte expectativa de que Lula utilize a cerimônia para assinar o veto ao projeto de lei da dosimetria, que buscava equilibrar as penas impostas aos envolvidos nos atos de 2023 — uma medida vista pela oposição como um gesto de perseguição política e falta de apetite para a pacificação real do país.

Um evento de Lula para a bolha

Diferente de um ato institucional que congregue todos os Poderes da República em torno da Constituição, a solenidade deste ano deve ser marcada pelo foco em movimentos sociais. O Planalto parece ter desistido de atrair o “centro” e a direita moderada, optando por um evento mais ideológico.

Enquanto o governo insiste em olhar pelo retrovisor, as lideranças do Congresso sinalizam que as prioridades do país em 2026 passam longe das celebrações simbólicas do Executivo. A ausência de Alcolumbre e Motta é, acima de tudo, uma demonstração de independência de um Legislativo que não quer ser acessório no marketing político do PT.

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