O bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu saiu das eleições israelenses como a maior força parlamentar, mas não conquistou sozinho as 61 cadeiras necessárias para formar maioria na Knesset. Com a apuração avançada na quarta-feira (28), a projeção apontava 53 das 120 cadeiras para os partidos aliados a Netanyahu, contra 48 para o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot. Os partidos árabes somavam outros 19 assentos e ganharam peso decisivo nas negociações para a formação do próximo governo.
A eleição de terça-feira (27) foi a primeira realizada em Israel desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e as guerras que se seguiram. A participação chegou a cerca de 77%, a maior desde 1999. O Likud, de Netanyahu, aparecia individualmente como o maior partido, com projeção de 26 deputados, enquanto o Yashar, de Eisenkot, ficava com 21. Apesar de liderar o maior bloco, Netanyahu perdeu força em relação à atual legislatura: seus aliados dispõem atualmente de 68 cadeiras.
O resultado abre uma nova disputa pela formação do governo. No sistema parlamentar israelense, ser o partido ou bloco mais votado não garante automaticamente o cargo de primeiro-ministro: é necessário construir uma coalizão capaz de reunir apoio parlamentar. Com Netanyahu oito cadeiras abaixo da maioria e o bloco de Eisenkot 13 abaixo, os 19 deputados dos partidos árabes podem assumir papel central nas negociações. O resultado oficial está previsto para 4 de novembro; enquanto as articulações prosseguem, Netanyahu permanece como primeiro-ministro interino.

