A escalada militar no Oriente Médio atingiu um ponto crítico, empurrando os preços internacionais do petróleo para o patamar de US$ 100 por barril pelo quinto dia consecutivo. O salto acumulado de cerca de 35% apenas neste mês reflete o acirramento das hostilidades entre Estados Unidos e Irã — marcadas por 12 noites seguidas de ataques americanos e retaliações na região. A crise afeta diretamente artérias estratégicas do comércio marítimo global, como o Estreito de Ormuz, o Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb, onde ações de milícias alinhadas a Teerã contra petroleiros elevam o pavor de uma grave paralisação no abastecimento mundial.
Economistas e analistas de mercado alertam que a permanência da cotação do Brent perto de três dígitos contamina rapidamente os canais mais sensíveis da economia global: fretes de mercadorias, insumos industriais e valorização do dólar frente a moedas emergentes. No Brasil, embora a Petrobras adote uma defasagem estratégica para evitar repassar volatilidades diárias às refinarias, a manutenção prolongada desse patamar torna inevitável a pressão por reajustes na gasolina, no diesel e no gás de cozinha nas próximas semanas. Esse movimento ameaça forçar uma revisão para cima nas projeções de inflação e reduz severamente a margem de manobra dos bancos centrais para alívio nas taxas de juros.

