Em visita oficial ao Brasil nesta segunda-feira (16), o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho devem ser tratadas como grupos terroristas. A declaração contraria a posição de Lula, que se opõe à classificação defendida por autoridades dos Estados Unidos. Paz destacou que o combate às máfias e ao narcotráfico em seu país está diretamente ligado ao enfrentamento do terrorismo, reforçando que tais organizações geram instabilidade e submissão social.
O líder boliviano citou como exemplo a prisão do narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, ligado ao PCC, ocorrida no último fim de semana. Segundo Paz, Marset figurava entre os principais criminosos que provocavam “uma espécie de terrorismo” na Bolívia. A captura, disse ele, representa um avanço na missão de libertar a sociedade da influência dessas facções. O posicionamento de Paz se alinha ao debate em Washington, onde o governo Trump avalia enquadrar os grupos brasileiros como organizações terroristas, medida que poderia ampliar sanções e fortalecer a cooperação internacional contra o crime.
Enquanto isso, o governo Lula mantém resistência à proposta, alegando que a classificação pode abrir espaço para interferências externas em questões de soberania. Diplomatas do Itamaraty têm buscado diálogo direto com autoridades norte-americanas para defender alternativas de combate ao narcotráfico sem a adoção de medidas unilaterais. A visita de Paz, eleito em outubro como representante da direita conservadora, marca sua primeira agenda oficial no Brasil e expõe divergências entre os dois países sobre como enfrentar o avanço das facções na região.

