A União Europeia confirmou nesta segunda-feira (14) um pacote de 1,6 bilhão de euros (R$ 10,6 bi) em ajuda à Palestina, com repasses previstos ao longo de dois anos. A justificativa oficial é apoiar infraestrutura, refugiados e ações humanitárias na Faixa de Gaza e Cisjordânia. No entanto, o destino desses recursos levanta preocupações, uma vez que Gaza segue sob domínio do grupo extremista Hamas, enquanto a Autoridade Palestina, controlada pelo Fatah, também participa das decisões administrativas locais.
Embora a UE afirme que o objetivo é promover a estabilidade, a governança no território permanece difusa e sob forte disputa. Recentemente, Hamas e Fatah firmaram um acordo para criar um comitê conjunto de gestão, sem vínculo partidário direto, mas com amplos poderes sobre setores como economia e educação. O documento que embasa o plano, divulgado pela agência AFP, não esclarece o futuro da estrutura de controle vigente, dominada pelo Hamas desde 2007. Isso levanta o risco de que recursos internacionais acabem sendo utilizados por grupos terroristas.
Na coletiva de imprensa, a chefe de Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas, defendeu o apoio financeiro como um passo rumo à “reconciliação e reconstrução”. Já o premiê palestino Mohammad Mustafa celebrou o anúncio como um sinal de solidariedade. No entanto, o plano europeu não estabelece mecanismos claros de supervisão, mesmo diante da possibilidade de que parte dos recursos seja desviada para organizações que não reconhecem o Estado de Israel e que mantêm histórico de violência.









