A Sabesp anunciou a antecipação de seu cronograma para iniciar o uso experimental de água de esgoto tratada no sistema de abastecimento da Grande São Paulo, com os primeiros testes previstos para o primeiro semestre de 2026. Esta iniciativa é uma estratégia emergencial para diminuir a dependência dos mananciais e enfrentar a escassez hídrica que ameaça a região. O plano, denominado reúso potável indireto, segue modelos já adotados em nações como Singapura e Austrália, e será o primeiro a ser implementado em uma grande metrópole da América Latina.
O processo inicial de purificação será realizado em duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). A ETE Barueri e a ETE Suzano injetarão, juntas, cerca de 2.800 litros de água reciclada por segundo em rios que abastecem reservatórios da capital. A água passará por um tratamento avançado, que inclui ozonização, biorreatores e ultrafiltração, garantindo a eliminação de micro-organismos e contaminantes, atendendo às regras técnicas e de monitoramento estabelecidas pela CETESB.
O volume adicional de água, apesar de modesto no início, é visto como fundamental para aliviar a pressão sobre os reservatórios, integrando o plano de investimento de R$ 70 bilhões da Sabesp até 2029. No entanto, a principal barreira ao projeto é a rejeição popular ao consumo de água proveniente do esgoto. Para superar esse “desafio cultural”, a companhia irá investir em uma campanha de comunicação detalhada, com o objetivo de informar a população sobre os rigorosos padrões de qualidade e o sucesso da tecnologia em outros países.








