Lula usou nesta terça-feira (22) seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para defender a “soberania brasileira” em meio às tensões com o governo Donald Trump e apresentar pautas que também fazem parte de sua campanha à reeleição. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e contrapôs soberania a subordinação ao criticar o que chamou de desmandos das grandes potências. A fala ocorre após novos atritos entre Brasília e Washington envolvendo tarifas, vistos, decisões do STF e a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA.
No mesmo discurso, Lula levou à ONU temas diretamente ligados à política interna. Defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso por semana, criticou a expansão das bets e afirmou que o governo não aceitará pressões de multinacionais para privatizar o Pix. A redução da jornada é uma das bandeiras eleitorais defendidas pelo petista em 2026 e já vinha sendo articulada pelo governo federal com Câmara e Senado antes da eleição. Lula também mencionou o tarifaço norte-americano e disse que o Brasil deve registrar novo recorde de exportações mesmo com as medidas impostas por Washington.
O petista também atacou o funcionamento atual da ONU e afirmou que a organização vive seu momento mais crítico desde sua primeira participação na Assembleia Geral, em 2003. Lula criticou a paralisia do Conselho de Segurança e apresentou a disputa internacional como uma escolha entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação. A combinação de política externa com propostas domésticas deu ao discurso uma dimensão também eleitoral, a menos de duas semanas do primeiro turno, embora a principal mensagem diplomática tenha sido a defesa de maior autonomia brasileira diante das grandes potências.

