Pesquisa espontânea Meio/Ideia deixa Janja para trás e mostra que 64% dos eleitores validam desabafo de Michelle sobre humilhações no PL; números expõem o desastre da fritura promovida pelo clã presidencial.
O racha interno que culminou na saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher e colocou em xeque sua candidatura ao Senado ganhou contornos de desastre estratégico para a ala comandada pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dados inéditos da pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), revelam que o eleitorado brasileiro não comprou a narrativa de isolamento imposta à ex-primeira-dama. Em um levantamento totalmente espontâneo — onde nenhum nome é apresentado —, Michelle foi citada por 15,4% dos entrevistados como “a mulher que tem mais poder hoje no Brasil”, superando com folga a atual primeira-dama, Janja Lula da Silva, que registrou 9% das menções.
O instituto mediu diretamente o impacto do vídeo de desabafo de Michelle, no qual ela afirmou ter sido humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao tentar influir nas alianças partidárias no Ceará. Para a esmagadora maioria dos consultados (64%), as declarações da ex-primeira-dama são verdadeiras, enquanto apenas 29% desconfiam do seu relato. A solidariedade do eleitorado à Michelle gerou um efeito colateral destrutivo para a pré-campanha presidencial de Flávio, que tenta suavizar sua imagem junto ao eleitorado feminino, mas viu sua estratégia ser dinamitada por declarações de aliados, como o influenciador Paulo Figueiredo, cuja tese de que “mulheres votam mal” foi rejeitada por 60% dos eleitores e obteve rejeição absoluta (0%) entre o público feminino.
A força de Michelle como herdeira do capital político conservador fica ainda mais nítida nos recortes geográficos e demográficos, mesmo diante de uma oscilação na simulação de segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, onde aparece com 36% contra 45% do petista. A ex-primeira-dama esmaga o atual presidente no segmento evangélico por acachapantes 63,3% a 17,7%, lidera no eleitorado jovem de 16 a 24 anos com 47,6% e mantém hegemonia nas regiões Norte (48,4%) e Sul (53,2%). Ao tentarem descartar e diminuir Michelle politicamente para abrir espaço a projetos pessoais, as lideranças masculinas do bolsonarismo ignoraram a matemática básica das urnas, sacrificando a figura mais competitiva da direita junto às mulheres e aos moderados.
Realizada entre 3 e 6 de julho de 2026, a pesquisa ouviu 1.500 entrevistados por telefone em todo o país. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança, de 95%. O estudo foi custeado pelo próprio instituto e registrado no TSE com o protocolo BR-05628/2026.

