O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com ironia à decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e o tornou réu por coação. Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (17), afirmou que “ser chamado de réu num país onde esta mesma Suprema Corte, que me processa, solta bandidos, é motivo de orgulho”. Em outro comentário, ao citar reportagem sobre a intenção do STF de concluir o julgamento antes das eleições de 2026, disse que “democracias modernas, arrojadas e pujantes, têm seus tribunais alinhados com o timing político eleitoral”.
A denúncia aceita pelo STF aponta que Eduardo teria atuado nos Estados Unidos para intimidar autoridades responsáveis por investigar e julgar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em processos relacionados à suposta trama golpista. O relator Alexandre de Moraes foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, abrindo caminho para a ação penal. O processo seguirá para a fase de produção de provas, com depoimentos do parlamentar e de testemunhas. Em seu voto, Moraes destacou que Eduardo defendeu em redes sociais uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos acusados, como forma de reverter medidas de pressão aplicadas pelo governo Trump contra autoridades brasileiras.
Segundo a PGR, Eduardo teria articulado sanções financeiras e restrições de vistos contra ministros do STF, como ocorreu em julho com a aplicação da Lei Magnitsky. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o deputado, junto ao jornalista Paulo Figueiredo, buscou “instaurar um clima de instabilidade e temor”, sugerindo que o Brasil poderia enfrentar isolamento internacional. Apesar das tentativas, Jair Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos e três meses de prisão. A acusação sustenta que as ações de Eduardo tinham como objetivo “emparedar” autoridades e influenciar julgamentos relacionados ao chamado ‘caso do golpe’.











