Lula convocou nesta quinta-feira (5) economistas e integrantes de sua confiança para discutir alternativas diante do avanço da dívida pública e definir os rumos da economia para o próximo mandato. Entre os chamados estão o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o atual titular da pasta, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, também pretende participar das discussões. A intenção é conciliar a manutenção dos programas sociais com medidas para controlar o endividamento e recuperar a confiança dos investidores.
O problema que Lula agora tenta enfrentar se aprofundou durante seu atual mandato. A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do PIB, depois de ter avançado cerca de dez pontos percentuais ao longo do período, enquanto as despesas com juros acumuladas em 12 meses estão próximas de 9% do PIB. A equipe econômica discute revisão de despesas, benefícios tributários e mudanças no Orçamento, mas ainda não apresentou um pacote definitivo para 2027. Durigan afirma que o governo recebeu um déficit elevado da administração anterior e defende ajustes graduais capazes de produzir superávits sem abandonar os compromissos sociais.
Já Haddad volta ao centro das discussões depois de deixar o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo e permanece como um dos principais conselheiros econômicos de Lula. A reunião acontece um dia depois de o Banco Central interromper o ciclo de cortes e manter a Selic em 13,75%, citando piora das expectativas e riscos para a inflação. Lula pretende ampliar as consultas nas próximas semanas, ouvindo economistas de outras correntes e empresários antes de definir a estratégia fiscal para o novo mandato.

