A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou na quinta-feira (27) uma nota em que classifica como “PEC Boca de Urna” a proposta que extingue a escala 6×1 de trabalho. O texto, assinado por Paulo Skaf, aponta que a votação acelerada no Senado foi conduzida para atender ao calendário eleitoral, que segundo o cálculo governista ajudaria Lula recuperar apoio em meio ao empate técnico com Flávio Bolsonaro nas pesquisas. A entidade alerta que a medida pode elevar em até 20% o custo da mão de obra, comprometendo a competitividade da indústria nacional.
Após três meses de paralisação, a proposta voltou a avançar nesta semana no Senado. O relator Omar Aziz (PSD-AM) apresentou parecer favorável sem alterações em relação ao texto aprovado na Câmara, que prevê redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado. Skaf criticou o fato de Aziz ter convidado empresários e especialistas para um debate em Brasília, mas ter antecipado o parecer antes da reunião, o que classificou como “desrespeito com quem gera empregos e trabalha pelo Brasil”. Para a Fiesp, o Senado deve conduzir o tema com responsabilidade e não submeter mudanças estruturais às urgências eleitorais.
A oposição articula para adiar a votação da PEC para depois das eleições, defendendo que o debate exige análise técnica e tempo adequado. Lula, por sua vez, tem usado a pauta como instrumento para aquecer sua campanha, em meio à rejeição elevada e à necessidade de mobilizar setores da sociedade. A Fiesp reforçou que o Brasil precisa de uma discussão ampla sobre modernização das relações de trabalho, e não de uma votação relâmpago movida por interesses eleitorais, consolidando a crítica de que a proposta se tornou uma “PEC Boca de Urna”.

