Presidente do Banco Central vê risco em proposta de Renan Calheiros sobre FGC

Redação 011
2 Min
Presidente do Banco Central vê risco em proposta de Renan Calheiros sobre FGC
foto: Jose Cruz/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com a iniciativa do senador Renan Calheiros (MDB-AL) de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proposta prevê que depósitos feitos por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e entidades de previdência complementar no Banco Master passem a ter proteção integral, sem o limite de R$ 250 mil atualmente estabelecido. Para Galípolo, essa mudança pode comprometer a finalidade original do mecanismo, criado para resguardar investidores de varejo e não grandes fundos institucionais.

Durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, Galípolo destacou que o valor médio dos ressarcimentos pagos pelo FGC é muito inferior ao teto vigente, o que reforça a necessidade de cautela. Ele afirmou que investidores institucionais assumem riscos em busca de maior rentabilidade e que ampliar a cobertura poderia gerar distorções no equilíbrio entre risco e retorno. O presidente do BC ressaltou ainda que não cabe à instituição avaliar diretamente projetos em tramitação no Congresso, mas alertou para os impactos potenciais sobre o funcionamento do fundo.

A proposta de Renan Calheiros surge em meio a um rombo de cerca de R$ 1,8 bilhão em fundos de pensão de servidores públicos, com forte ligação ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bancárias sob apuração. O Rioprevidência, do Rio de Janeiro, concentra aproximadamente R$ 1 bilhão em letras financeiras da instituição, enquanto a Amprev, do Amapá, aplicou cerca de R$ 400 milhões. O texto apresentado pelo senador aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para definição das comissões que irão analisar o projeto.

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