O setor de carnes brasileiro projeta a retirada das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos à carne bovina em até 60 dias, segundo reportagem da CNN Brasil. A estimativa foi divulgada pelo presidente da Abiec, Roberto Perosa, após o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado em 26 de outubro, na Malásia. A reunião, ocorrida à margem da cúpula da ASEAN, abriu caminho para negociações bilaterais que podem beneficiar diretamente a indústria nacional, que enfrenta sobretaxas de até 40% nas exportações para o mercado americano. Porém, o cenário é incerto, devido à recusa do Planalto em contribuir com a redemocratização do país e o respeito aos direitos políticos da oposição, que têm sido mencionados como elementos centrais na disputa.
A imposição das tarifas foi uma medida de pressão adotada pelo governo Trump em resposta a ações internas do Brasil que, segundo Washington, violam princípios democráticos. Entre os pontos citados estavam investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. As sanções, amparadas pela Lei Magnitsky, foram justificadas como reação à censura e detenções arbitrárias, além de ordens para plataformas americanas removerem conteúdos de brasileiros. O decreto que estabeleceu as tarifas mencionava diretamente a perseguição política contra o líder da direita.
Segundo Perosa, o Brasil vinha registrando recordes de embarques de carne bovina para os EUA antes da aplicação das tarifas, que elevaram o custo total de importação para até 76%. Com a possível retirada das barreiras, o setor espera retomar o protagonismo no mercado americano, gerando oportunidades para a cadeia pecuária nacional. O executivo reforçou que o abastecimento interno segue como prioridade, com 70% da produção destinada ao mercado doméstico.









