A CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos nesta terça-feira (14) com um relatório que solicita o indiciamento de quatro autoridades de peso no Judiciário brasileiro. O documento, elaborado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), aponta os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. Apesar de a comissão ter investigado a atuação de facções e milícias em todo o país, apenas os magistrados e o chefe do Ministério Público foram incluídos na lista de responsabilização.
O relatório sustenta que os citados teriam adotado condutas incompatíveis com suas funções, como decisões que limitaram investigações e omissões diante de indícios relevantes. Moraes é acusado de atuar em processos nos quais haveria impedimento, Toffoli teria vínculos indiretos com investigados, Gilmar é apontado por anular medidas investigativas e Gonet por não agir diante de provas consideradas robustas. O texto também registra que decisões do Judiciário prejudicaram o andamento da CPI, convertendo convocações em convites e restringindo acesso a informações financeiras.
Além das acusações contra autoridades, o relatório traz dados alarmantes sobre o avanço do crime organizado no Brasil. São 90 organizações criminosas identificadas em 24 estados e no Distrito Federal, com cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivendo sob algum tipo de governança criminal. O documento ainda destaca o caso do Banco Master, apontado como possível canal de lavagem de dinheiro bilionária, e recomenda medidas estruturais como maior integração entre forças policiais e intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. O texto será encaminhado aos órgãos competentes para análise e providências.







