A Confederação Nacional da Indústria (CNI) intensificou a pressão sobre o Congresso Nacional nesta terça-feira (14). Em um movimento coordenado com mais de 800 organizações setoriais, a entidade entregou um manifesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.
O documento, assinado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, alerta para um “efeito cascata” devastador na economia brasileira. Segundo os cálculos da entidade, a mudança geraria um impacto direto de R$ 267 bilhões na folha de pagamento das empresas.
Impacto no bolso do consumidor. Para a CNI, o aumento do custo de produção será inevitavelmente repassado aos preços. A estimativa é de uma alta média de 6,2% no custo de vida, com destaque para os supermercados, que podem ficar quase 6% mais caros. Setores intensivos em mão de obra, como a indústria têxtil e as padarias, seriam os primeiros a sentir o golpe.
Ano Eleitoral e Populismo. O governo federal tem sinalizado pressa na aprovação da medida, de olho no calendário eleitoral de 2026. No entanto, a indústria apela para a “responsabilidade de longo prazo”. A CNI argumenta que qualquer alteração na jornada precisa vir acompanhada de uma transição adequada e, fundamentalmente, de ganhos reais de produtividade — algo que o Brasil não tem registrado nos últimos anos.
Risco para os pequenos. O manifesto destaca que os pequenos negócios, que operam com margens estreitas, seriam os mais expostos, podendo ser empurrados para a informalidade ou para o encerramento das atividades. “Temas de forte apelo social exigem análise técnica consistente, sob o risco de decisões precipitadas gerarem desemprego”, conclui a carta.
A produtividade do trabalhador brasileiro é uma das mais baixas do mundo. Reduzir a jornada por decreto, sem que as máquinas produzam mais ou os processos sejam mais eficientes, é apenas uma forma disfarçada de imprimir inflação.










