Fim da escala 6×1 pode custar R$ 267 bilhões e disparar inflação, alerta CNI

Redação 011
2 Min
Fim da escala 6x1 pode custar R$ 267 bilhões e disparar inflação, alerta CNI
foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) intensificou a pressão sobre o Congresso Nacional nesta terça-feira (14). Em um movimento coordenado com mais de 800 organizações setoriais, a entidade entregou um manifesto contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.

O documento, assinado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, alerta para um “efeito cascata” devastador na economia brasileira. Segundo os cálculos da entidade, a mudança geraria um impacto direto de R$ 267 bilhões na folha de pagamento das empresas.

Impacto no bolso do consumidor. Para a CNI, o aumento do custo de produção será inevitavelmente repassado aos preços. A estimativa é de uma alta média de 6,2% no custo de vida, com destaque para os supermercados, que podem ficar quase 6% mais caros. Setores intensivos em mão de obra, como a indústria têxtil e as padarias, seriam os primeiros a sentir o golpe.

Ano Eleitoral e Populismo. O governo federal tem sinalizado pressa na aprovação da medida, de olho no calendário eleitoral de 2026. No entanto, a indústria apela para a “responsabilidade de longo prazo”. A CNI argumenta que qualquer alteração na jornada precisa vir acompanhada de uma transição adequada e, fundamentalmente, de ganhos reais de produtividade — algo que o Brasil não tem registrado nos últimos anos.

Risco para os pequenos. O manifesto destaca que os pequenos negócios, que operam com margens estreitas, seriam os mais expostos, podendo ser empurrados para a informalidade ou para o encerramento das atividades. “Temas de forte apelo social exigem análise técnica consistente, sob o risco de decisões precipitadas gerarem desemprego”, conclui a carta.

A produtividade do trabalhador brasileiro é uma das mais baixas do mundo. Reduzir a jornada por decreto, sem que as máquinas produzam mais ou os processos sejam mais eficientes, é apenas uma forma disfarçada de imprimir inflação.

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