Brasil no vermelho cria bola de neve com 80% das famílias endividadas e Selic a 14,75%

Redação 011
3 Min
Brasil no vermelho cria bola de neve com 80% das famílias endividadas e Selic a 14,75%
foto: Macello Casal Jr./ Agência Brasil

O brasileiro nunca esteve tão endividado. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,4% das famílias fecharam o mês de março com dívidas a vencer. O número é o maior da série histórica e acende o sinal vermelho no Banco Central, que já fala em um quadro de “superendividamento” sistêmico no país.

Embora o governo tente medidas paliativas, como o Desenrola 2.0, o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, é categórico: o vilão são os juros. Com a Selic mantida em patamares restritivos de 14,75% ao ano, uma dívida pode dobrar de tamanho em apenas 18 meses.

O cenário é descrito como uma “bola de neve”: com a renda apertada pela inflação e pelo desemprego, o consumidor busca novos empréstimos apenas para quitar os antigos, entrando em um ciclo vicioso onde o crédito fácil, mas caríssimo, destrói o patrimônio familiar.

Educação Financeira: o elo perdido

A falta de planejamento também pesa. Pesquisas indicam que apenas 9% das famílias brasileiras consideram importante controlar gastos por planilhas. Sem essa base, o crédito emergencial — como o cartão de crédito e o cheque especial — torna-se a primeira e mais perigosa opção para imprevistos.

O desafio eleitoral de 2026

Com as eleições presidenciais se aproximando, o endividamento das famílias tornou-se o principal entrave para a popularidade do governo Lula. Economistas alertam que usar o FGTS para quitar dívidas, como propõe o Desenrola 2.0, é um “paliativo de curto prazo”. A solução real passaria por um ajuste fiscal concreto que permitisse a queda estrutural dos juros — um tema que divide o Planalto e o mercado.

 O Desenrola 2.0 é um band-aid em uma hemorragia. Enquanto o governo não encarar o ajuste fiscal de frente e parar de gastar o que não tem, o Banco Central continuará usando os juros altos como freio de emergência. O resultado é esse: um país de inadimplentes onde o sonho da casa própria ou do carro novo foi substituído pelo pesadelo da fatura do cartão. 2026 será a eleição de quem prometer — e provar — que pode tirar o brasileiro dessa escravidão financeira.

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