A hesitação do comitê de campanha do PT em confirmar a presença de Luiz Inácio Lula da Silva nos debates e sabatinas do primeiro turno expõe uma estratégia de isolamento que beira o desespero político. Alegando risco à imagem do presidente e dúvida sobre os ganhos eleitorais, os marqueteiros governistas debatem abertamente o boicote aos confrontos diretos. Trata-se do clássico ‘salto alto’ institucional de quem finge já estar no segundo turno para não encarar o contraditório diante do eleitorado.
O recuo, porém, não ocorre no vácuo. Os números da pesquisa RealTime Big Data revelam o real motivo do temor petista: a margem de segurança evaporou. No cenário de segundo turno, Ronaldo Caiado (PSD) aparece numericamente à frente do petista, com 44% contra 43%. Já no embate contra Flávio Bolsonaro (PL), a vantagem de Lula despencou de cinco pontos em junho para apenas três agora (45% a 42%) — uma situação de empate técnico em ambas as simulações.
Foram ouvidos presencialmente 2.000 eleitores entre 18 e 20 de julho. A pesquisa, registrada no TSE sob o protocolo BR-05864/2026, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Fugir dos debates não é apenas uma estratégia de contenção de danos; é a confissão de vulnerabilidade de um governo que desgastou sua imagem e teme ser cobrado ao vivo. Enquanto opositores como Caiado, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos já confirmaram presença em sabatinas, Lula cogita a covardia política como tática eleitoral. O eleitor brasileiro, no entanto, cobra presença, prestação de contas e coragem — qualidades que o PT parece querer esconder atrás das cortinas do Palácio do Planalto.

