Liderado por Caiado, partido de Alcolumbre anuncia obstrução no Congresso por crise com o STF

Redação 011
2 Min
Governador Ronaldo Caiado passa por cirurgia cardíaca em São Paulo
foto: Valter Camargo/ Agência Brasil

O partido União Brasil decidiu iniciar um movimento de obstrução total nas votações da Câmara e do Senado em reação à crise institucional entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso, agravada pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) e pelo impacto do tarifaço imposto pelos EUA contra as decisões do Ministro do STF Alexandre de Moraes contra opositores de Lula (PT). O anúncio foi feito pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), nesta terça-feira (5), após encontro com lideranças do partido e com o aval do presidente da sigla, Antonio Rueda. “Essa é uma decisão tomada nessa madrugada (…), e nós decidimos que, a partir de hoje, o União Brasil entra em obstrução total na pauta tanto da Câmara como do Senado Federal”, disse ele ao deixar evento na B3, em São Paulo.

A decisão surpreende por partir da própria legenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por pautar as votações que agora serão travadas por seus correligionários. Em sua fala, Caiado apontou também a insatisfação com a política externa do governo Lula, que teria adotado uma postura de confronto com os EUA, prejudicando os exportadores brasileiros. Como governador de um estado produtivo, ele destacou que tenta conter os danos causados ao setor. O gesto do União foi imediatamente apoiado pelo PP, presidido por Ciro Nogueira, que anunciou adesão à obstrução.

Além das críticas à política econômica, Caiado atacou frontalmente a atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso Bolsonaro, sugerindo que a sociedade pode reagir com “desobediência civil” a decisões judiciais monocráticas. A tensão cresce enquanto o União Brasil mantém três ministérios no governo, mas pressiona por um reposicionamento político após oficializar federação com o PP. Pré-candidato à Presidência em 2026, Caiado busca se consolidar como alternativa de centro-direita, em meio ao enfraquecimento de Lula no Congresso e à ausência de Bolsonaro na disputa por determinação da Justiça.

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