A proposta de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais, aprovada pela Câmara dos Deputados, deve provocar aumento no consumo e impacto direto na inflação. A medida, articulada pelo Governo Lula, beneficia cerca de 15 milhões de brasileiros e pode aquecer o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. No entanto, o estímulo ao consumo pode gerar efeitos colaterais, como pressão sobre os preços e sobre a política monetária do Banco Central, especialmente diante do cenário fiscal instável.
Segundo reportagem do G1, o economista sênior do Inter, André Valério, avalia que a mudança representa um “grande choque positivo de renda disponível”, sobretudo para as faixas de menor poder aquisitivo, que tendem a consumir mais. A proposta ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor em janeiro de 2026, com efeitos práticos já em fevereiro. A renúncia fiscal estimada é de R$ 25,8 bilhões por ano, e o Governo Lula aposta na taxação de altas rendas para compensar a perda de arrecadação, uma estratégia que pode gerar distorções e exigir ajustes futuros.
Além da isenção até R$ 5 mil, haverá redução proporcional para quem recebe até R$ 7.350 mensais. A compensação virá por meio de tributação mínima de até 10% sobre rendas superiores a R$ 600 mil anuais e cobrança sobre dividendos acima de R$ 50 mil. Caso a arrecadação dos mais ricos não atinja o esperado, o risco fiscal pode aumentar, elevando juros e câmbio. O impacto sobre o mercado de trabalho também é relevante: empresas precisarão revisar contratos e estruturas para manter competitividade diante das novas regras.

