A proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais será votada na Câmara dos Deputados em 1º de outubro, conforme anúncio do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Embora a medida seja apresentada como alívio para trabalhadores, ela pode comprometer a arrecadação federal e gerar distorções no sistema tributário. O texto, articulado por Arthur Lira (PP-AL), deve ser aprovado com apoio da maioria, mas especialistas alertam para o impacto negativo sobre o equilíbrio fiscal e a sustentabilidade das contas públicas.
O projeto também prevê redução parcial do IR para rendimentos de até R$ 7.350 e cria uma tributação mínima para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais. Para compensar a perda de arrecadação, o Governo Lula (PT) propõe taxar dividendos enviados ao exterior em 10%, além de manter o redutor para empresas que já pagam 34% sobre o lucro. A estratégia, no entanto, transfere o peso fiscal para investidores e o setor produtivo, o que pode desestimular investimentos e afetar a competitividade nacional. Estados e municípios, que dependem da arrecadação compartilhada, também podem sofrer com a queda de receitas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que espera a sanção da nova faixa de isenção ainda em outubro por Lula (PT). Segundo estimativas do próprio Governo Federal, o custo da medida pode ultrapassar R$ 30 bilhões em 2026, enquanto a arrecadação prevista com o imposto mínimo ficaria em torno de R$ 25 bilhões. A diferença entre os valores evidencia o risco de desequilíbrio fiscal e reforça críticas à condução econômica do petista, que segue ampliando benefícios sem apresentar reformas estruturantes para conter o avanço da dívida pública.









