O subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino, preside nesta sexta-feira (25) a sessão extraordinária do Conselho Superior do Ministério Público Federal que decidirá se há elementos para investigar a atuação do procurador-geral da República Paulo Gonet no caso Banco Master. Gonet, que normalmente preside o colegiado, está impedido de comandar a análise por ser diretamente interessado no procedimento. O conselho poderá arquivar o caso ou designar um subprocurador-geral para investigar possível prática de crime comum atribuída ao chefe da PGR.
O procedimento foi aberto após a divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro nas quais Gonet aparece em diferentes contextos. Segundo a CNN Brasil, o advogado Ciro Soares, que já defendeu o Banco Master, teria intermediado contatos entre os dois e escreveu ao então banqueiro que “Gonet é firme” e que “amizade é tudo”. Também foi revelada uma fotografia de Gonet e Vorcaro em um evento realizado em Londres, em abril de 2024. O procurador-geral nega relação de proximidade e afirma que teve apenas um encontro “brevíssimo e banal” com o ex-banqueiro.
A condução da sessão por Nicolao Dino chama atenção pelo contexto do caso Master no STF. Seu irmão, o ministro Flávio Dino, indicado por Lula ao Supremo, apresentou questão de ordem e pediu vista no julgamento que discutia a possível investigação de Alexandre de Moraes por menções envolvendo Vorcaro, suspendendo a análise por até 90 dias. Isso não significa que Nicolao esteja impedido ou que sua atuação esteja condicionada à posição do irmão, mas acrescenta um elemento institucional à sessão em que Gonet é “emparedado”.

