Com o aumento de tarifas norte-americanas prestes a entrar em vigor, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta sexta-feira (1º) que o Brasil seguirá buscando cooperação com os Estados Unidos, apesar do cenário adotado pela gestão Trump, que condiciona o diálogo com o governo Lula ao reestabelecimento das garantias constitucionais à população brasileira e o fim da censura e perseguição política, conforme casos relatados pela oposição. As novas alíquotas, que chegam a 50% sobre certos produtos brasileiros, foram oficializadas por ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA e entram em vigor no dia 6 de agosto. A medida representa um aumento de 40 pontos percentuais em relação aos 10% já aplicados.
Haddad, em tom conciliador, evitou confrontar diretamente o governo americano e destacou a intenção de manter os canais de diálogo abertos. “Ele tem direito de defender a economia deles e nós, a nossa”, declarou o ministro, referindo-se ao presidente Donald Trump. Segundo ele, o Brasil pretende mostrar que há “muito espaço para parceria” com os Estados Unidos. O ministro ainda comparou a situação com as negociações em andamento entre o Mercosul e a União Europeia, defendendo uma abordagem semelhante com Washington.
Durante a entrevista, Haddad lamentou a baixa presença de empresas norte-americanas em licitações públicas no Brasil, apontando oportunidades econômicas mal aproveitadas. “A nossa infraestrutura está crescendo como há muito tempo não se vê”, afirmou. Questionado sobre uma possível manifestação de Lula em relação ao tarifaço, limitou-se a responder: “Eu dou sugestões, mas quem decide é ele”. Apesar do impacto sobre as exportações, o Governo Federal não indicou medidas concretas de retaliação até o momento.














