Em meio à forte reação do mercado e de parlamentares à elevação das alíquotas do IOF, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), tenta agora um malabarismo de impostos para conter o desgaste e recompor a arrecadação. Nesta segunda-feira (2), ele afirmou que as conversas com os presidentes da Câmara e do Senado deixaram a equipe econômica “muito confortável” para formular uma alternativa que inclua medidas estruturais, em vez de depender apenas de aumentos pontuais de tributos. A proposta original, que ampliava a cobrança sobre crédito empresarial, operações cambiais e previdência privada, enfrenta risco de ser revertida pelo Congresso.
Haddad indicou que pretende apresentar um novo pacote combinando ajustes regulatórios e reformas de longo prazo, mas sem detalhar o que será alterado. “Quer alterar o curto prazo? Altera o longo prazo junto”, disse o ministro, ao sugerir que previsibilidade e justiça seriam garantidas por meio da revisão simultânea de regras fiscais. A movimentação ocorre após o governo negociar um prazo com o Legislativo para substituir parte da arrecadação estimada com o novo IOF, cujo impacto foi mal recebido por investidores e setores produtivos.
Na lista de opções, Haddad voltou a mencionar a redução de benefícios tributários, estimados em R$ 800 bilhões, e propostas já enviadas ao Congresso, como o limite aos supersalários e mudanças nas aposentadorias de militares. A elevação da CSLL dos bancos, usada em tentativas anteriores de fechar as contas, foi descartada por motivos técnicos. A ofensiva do Congresso para barrar o decreto do IOF — algo sem precedentes em 25 anos — expôs a fragilidade política da medida e forçou o governo a improvisar mais uma vez para tentar cumprir suas metas fiscais.










