A estratégia para conter a inflação dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Irã, entrou em fase decisiva. Como o plano original de zerar o imposto estadual fracassou no Confaz, o Ministério da Fazenda propôs que cada ente federativo arque com sua parte no desconto. O anúncio oficial depende da análise final dos governadores, que tiveram até ontem para bater o martelo.
O desenho do subsídio
Valor total: R$ 1,20 de desconto por litro.
A conta: A União paga R$ 0,60 e cada estado paga outros R$ 0,60.
Adesão seletiva: O Governo Federal já avisou que só pagará a sua parte nos estados que aceitarem o acordo. Se um estado recusar, o diesel naquela região não terá o desconto de R$ 1,20.
O Fator Tarcísio: O governo de São Paulo indicou que deve aderir à medida. Como o estado é o maior mercado consumidor do país, a adesão do Palácio dos Bandeirantes é vista como uma vitória estratégica para o Planalto.
O Governo Federal propõe um “puxadinho” fiscal perigoso. Ao condicionar a subvenção da União à adesão dos estados, o Planalto cria cidadãos de primeira e segunda classe: quem mora em estado aliado ou pragmático pagará menos pelo diesel; quem mora em estado que preza pelo equilíbrio do caixa pagará mais. Ainda há o risco de motoristas e transportadoras cruzarem fronteiras apenas para abastecer, gerando desequilíbrio na arrecadação e no abastecimento regional.

