O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que decisões recentes tomadas por Kassio Nunes Marques e André Mendonça não devem prosperar na Corte. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (22), o decano classificou como “jurisprudência Nunes Marques” a decisão que suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel e disse que esse entendimento não se sustenta no STF. Gilmar também avaliou como “erro crasso” a participação de Mendonça em tratativas de delação premiada envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atribuição que, segundo ele, cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal.
A suspensão da pesquisa AtlasIntel foi determinada por Nunes Marques em caráter liminar, após o levantamento indicar queda na popularidade de Flávio Bolsonaro (PL), após a pré-campanha da direita ver erros metogológicos na coleta da amostra. O caso foi encaminhado ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 9 de junho, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista da ministra Estela Aranha. O relator sustentou que pesquisas eleitorais podem influenciar diretamente o eleitorado e, por isso, devem seguir regras específicas.
Além da polêmica sobre pesquisas, Gilmar Mendes destacou que Mendonça teria recebido propostas de delação seletiva, o que configuraria irregularidade. Segundo o ministro, a lei não permite que o relator participe de negociações desse tipo, reforçando que o papel do magistrado é julgar, e não intermediar acordos. As críticas de Gilmar atingem diretamente os dois únicos ministros do STF indicados por Jair Bolsonaro (PL), sinalizando que decisões tomadas por eles poderão ser revistas pela Corte.

