O Banco Central reconheceu nesta terça-feira (23) que a inflação avançou além das projeções iniciais e destacou os riscos trazidos pelo fenômeno climático El Niño para a economia brasileira. Apesar do cenário mais adverso, a instituição manteve o ciclo de cortes da taxa Selic na reunião do Copom da semana passada, reduzindo os juros de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi justificada pela necessidade de seguir as “melhores práticas” de política monetária, que recomendam não reagir de forma imediata a choques de oferta.
Na ata divulgada, o BC explicou que pressões externas, como a guerra no Oriente Médio, elevaram os preços do petróleo e dos combustíveis, somando-se às incertezas climáticas. O Comitê avaliou que, diante desses fatores, seria mais adequado manter uma trajetória de juros próxima às expectativas do mercado, registradas no Boletim Focus, para evitar volatilidade excessiva nos ativos financeiros. O documento também reforçou que a convergência da inflação para a meta deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2028.
O texto do Copom ainda apontou que, para 2027, as projeções já consideram a meta contínua de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. O mercado estima que o IPCA ficará em 4,15% em 2027, acima da meta central, enquanto o BC projeta 3,7%. Mesmo com esse descompasso, a autoridade monetária manteve o ritmo de cortes, em um ano eleitoral, mirando o horizonte de médio prazo. O BC ressaltou que a política monetária precisa ser calibrada com cautela para garantir que os efeitos de choques externos e climáticos não comprometam a trajetória de queda da inflação.

