Nos últimos dias, pesquisas eleitorais têm sugerido que a derrota de Lula em 2026 é quase inevitável. Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente em diferentes levantamentos, e o mercado financeiro já começa a precificar uma guinada à direita. Mas seria precipitado festejar. A história política brasileira mostra que quem controla a máquina pública tem instrumentos poderosos para alterar o rumo de uma eleição — e Lula, com sua habilidade de manipular narrativas e distribuir benesses, sabe disso melhor do que ninguém.
O presidente tem repetido que sua candidatura é um “compromisso cristão” contra o que chama de “fascismo”. A retórica é velha conhecida: demonizar adversários, reduzir o debate a uma luta moral e tentar se colocar como guardião da democracia. Mas, na prática, o que vemos é um governante que usa o aparato estatal para comprar consciências. Programas como o Minha Casa Minha Vida, ampliado a níveis recordes, e benefícios como Gás do Povo e Luz do Povo, embora tragam alívio imediato, funcionam também como instrumentos de fidelização política.
Não se trata de negar a importância de políticas sociais. O problema é o timing e a escala. Em ano eleitoral, Lula libera bilhões em subsídios, amplia faixas de renda atendidas e aumenta o valor máximo dos imóveis financiados. São medidas que, segundo economistas, pressionam a inflação e dificultam a redução dos juros. Mas, para o presidente, o cálculo é outro: garantir apoio popular, mesmo que às custas da estabilidade econômica. É a velha fórmula populista que tantos países já experimentaram — e que frequentemente termina em crise.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas, surfando na insatisfação com a economia e na rejeição ao discurso ideológico de Lula. O senador aparece numericamente à frente em levantamentos da Futura/Apex, Veritá e Quaest. Mas a vantagem ainda é frágil, dentro da margem de erro. O risco é acreditar que a eleição já está decidida e subestimar a capacidade de Lula de virar o jogo com a máquina pública em mãos.
É por isso que a oposição precisa estar alerta. Não basta confiar nas pesquisas ou na rejeição natural ao petismo. É necessário construir uma narrativa clara, mostrar que há alternativas viáveis e expor os riscos de um governo que insiste em repetir velhas fórmulas populistas. O eleitor brasileiro já demonstrou que pode ser seduzido por promessas fáceis — e Lula sabe explorar isso como poucos.
Em última análise, a eleição de 2026 não será decidida apenas nas urnas, mas também na capacidade de resistir ao poder da máquina estatal. Lula pode estar enfraquecido, mas não está derrotado. O Brasil não pode se dar ao luxo de festejar antes da hora. A democracia exige vigilância constante, especialmente quando quem governa demonstra disposição de usar todos os meios para se manter no poder.
