Em entrevista ao jornal Estadão, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), afirmou que o Brasil não possui condições de dissuadir um ataque internacional. Segundo ele, a redução contínua da capacidade militar ao longo das últimas décadas colocou o país em situação crítica, exigindo reformas estruturais urgentes. O militar classificou o cenário como “luz vermelha” e defendeu a criação de um comando unificado para coordenar as três Forças Armadas, nos moldes da reforma adotada pelos Estados Unidos em 1986.
Baptista Júnior destacou que o problema não se limita ao volume de recursos, embora o plano das Forças Armadas estime em cerca de R$ 800 bilhões os investimentos necessários até 2040. Para ele, a ausência de percepção de ameaça por parte da classe política e do Governo Federal contribuiu para a negligência histórica na área de defesa. O brigadeiro considera essencial a subordinação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica a um Estado-Maior conjunto permanente, com precedência hierárquica sobre os demais comandos, além da definição clara das funções de cada força.
Ao analisar o ambiente internacional, o militar citou a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como sinais de mudança na dinâmica geopolítica. Baptista Júnior também alertou para o risco de ampliar o papel das Forças Armadas no combate direto ao narcotráfico, o que poderia gerar corrupção e desvio de foco da missão principal: a defesa da Pátria. Ele ainda relembrou sua atuação como testemunha nos processos sobre a suposta tentativa de ruptura institucional em 2022 e afirmou que pretende apoiar um candidato de direita nas eleições de 2026, sem adesão a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).








