A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (19) sete mandados de busca e apreensão contra os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), ambos investigados por suposto desvio de cotas parlamentares. A medida foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF, que também autorizou a quebra de sigilo bancário dos parlamentares. A ação, batizada de operação Galho Fraco, ocorreu no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, ampliando uma investigação iniciada em 2024 contra assessores ligados aos dois congressistas.
Segundo a decisão de Dino, há indícios de que os parlamentares utilizaram contratos simulados com a empresa Harue Locação de Veículos, atualmente chamada Alfa Car, para justificar gastos com recursos públicos. A locadora, que possui apenas cinco veículos em sua frota, teria recebido R$ 214 mil de Sóstenes e R$ 192 mil de Jordy em cinco anos, valores considerados incompatíveis com a estrutura da empresa. O ministro determinou que o sigilo bancário fosse quebrado entre maio de 2018 e dezembro de 2024, além de autorizar o compartilhamento das informações com a Receita Federal para apurações fiscais.
As apurações da PF identificaram mensagens de Itamar de Souza, assessor de Carlos Jordy, que tratavam de pagamentos “por fora” relacionados aos contratos com a locadora Harue. Segundo os investigadores, parte dos valores era transferida por meio bancário para a empresa, enquanto outra parte era entregue em espécie diretamente ao assessor. Em um dos diálogos registrados, Itamar escreveu: “O deputado vai vir segunda, aí eu vou ver com ele para pagar o outro por fora, tá bom?”. Esses elementos foram incluídos na decisão de Flávio Dino como indícios da prática de desvio de recursos públicos.

