Empresários pressionam o governo, que resiste a concessões pró-Bolsonaro

Redação 011
2 Min
Empresários pressionam o governo, que resiste a concessões pró-Bolsonaro
foto: Cadu Gomes/VPR

O setor produtivo brasileiro intensificou a pressão sobre o Governo Federal nesta terça-feira (15), durante reuniões com o comitê interministerial criado para discutir a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais. Indústria e agronegócio alertaram que a medida compromete contratos já firmados com clientes americanos e exigem do Palácio do Planalto ações imediatas para evitar prejuízos econômicos. Apesar disso, o governo Lula (PT) evita se comprometer com a solicitação formal de adiamento, como defendem os empresários.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), responsável pelas negociações, afirmou que o governo “vai trabalhar para tentar resolver isso nos próximos dias”, mas rejeitou, ao menos por ora, a ideia de pedir extensão do prazo junto aos EUA. Nos bastidores, lideranças do agronegócio alegam que a resistência do governo se deve ao receio de que uma eventual solução inclua concessões políticas, como a anistia aos condenados de 8 de Janeiro e a anulação dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como forma de destravar o diálogo com Washington — o que permitiria ao líder da direita disputar a presidência em 2026 e, segundo as principais pesquisas do país, derrotar os candidatos da esquerda.

A medida norte-americana, anunciada diretamente por Donald Trump em carta enviada a Lula, foi acompanhada de críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao processo contra Bolsonaro, classificado pelo presidente dos EUA como “vergonha internacional”. Para empresários com interlocução no mercado norte-americano, o impasse é mais político do que técnico. Enquanto o setor clama por pragmatismo, o Planalto evita decisões que possam fortalecer Bolsonaro como potencial concorrente nas próximas eleições.

Compartilhe este artigo