A assinatura de um acordo de confidencialidade por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, na quinta-feira (19), abriu caminho para uma delação premiada que já provoca apreensão em Brasília. Preso na Superintendência da PF, Vorcaro é investigado por fraudes contra o sistema financeiro e sua colaboração pode atingir autoridades dos Três Poderes, além de figuras ligadas ao Governo Federal. O temor é que os vínculos do ex-banqueiro com ministros do STF e políticos revelem contratos e relações que até agora permaneciam fora do alcance público.
O economista Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nos governos do PT, aparece como um dos principais articuladores do Master junto ao governo Lula. Em 2024, Mantega esteve ao menos cinco vezes no Palácio do Planalto, reunindo-se com Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete de Lula, e em uma dessas ocasiões acompanhado de Vorcaro. O encontro não foi registrado na agenda oficial, mas terminou com uma reunião direta com Lula, da qual participaram ministros e Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central, que viria a assumir a presidência da instituição em 2025. Roberto Campos Neto, presidente do BC à época, não foi informado.
As conexões de Vorcaro se estendem ainda ao Judiciário e ao Legislativo. Documentos apontam contratos milionários entre o Master e familiares de ministros do STF, como Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, que recebeu R$ 80 milhões em serviços advocatícios. Também há registros de negócios envolvendo Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, além de pagamentos a empresas ligadas a Jaques Wagner (PT-BA) e empréstimos a familiares de Hugo Motta (Republicanos-PB). A delação de Vorcaro, vista como inevitável, ameaça expor um amplo esquema de relações políticas e financeiras que pode comprometer a credibilidade das instituições brasileiras.










