O advogado Demóstenes Torres, que representa o almirante Almir Garnier, criticou os julgamentos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal contra os acusados da suposta tentativa de golpe, comparando-os aos de regimes ditatoriais. Segundo ele, a forma como os réus vêm sendo tratados se assemelha mais aos procedimentos “da ditadura cubana” do que a um julgamento justo. “Nenhum processo se perfaz só com condenações. Aí viraria um processo soviético, cubano, hitlerista, da era de Mussolini”, declarou em entrevista ao Poder360, ao defender que o devido processo legal exige também absolvições.
Torres, que também é ex-senador, acredita que parte dos réus deverá ser inocentada e afirma confiar na absolvição de seu cliente, apontando a existência de provas que favorecem Garnier, inclusive o depoimento do atual comandante da Marinha, Marcos Olsen. Para o advogado, a delação de Mauro Cid é frágil, já que, segundo ele, trata-se de um “mentiroso compulsivo” que apresentou “mais de 10 versões de um mesmo fato”. Embora reconheça que o processo tenha tido celeridade, ele alega que não tentou atrasar a instrução e reafirma que Garnier aceitou o resultado das eleições.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República sustenta que Garnier teria sido o único comandante militar a apoiar uma possível decretação de GLO por Bolsonaro após as eleições de 2022. No entanto, a defesa nega que o almirante tenha colocado efetivos à disposição do então presidente. Torres reiterou que há elementos objetivos em favor de seu cliente e que, se a absolvição não vier, ao menos o princípio jurídico do in dubio pro reo deve ser respeitado.













