A campanha de Lula passou a trabalhar para desvincular a imagem do petista de Alexandre de Moraes depois que o julgamento sobre a possível investigação do ministro terminou suspenso por um pedido de vista do ministro do STF, Flávio Dino, indicado por Lula. Segundo apuração do Poder360, aliados querem tratar a crise como um problema exclusivo do Supremo e recuperar episódios do passado de Moraes para afastá-lo politicamente do governo Lula. Paralelamente, Lula endureceu o discurso contra Daniel Vorcaro e afirmou que todos os envolvidos no caso Master devem responder por eventuais irregularidades. A mudança ocorre em meio a pesquisas recentes que mostram Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em simulações de segundo turno.
Em entrevista concedida na quarta-feira (16), Lula chamou o escândalo do Banco Master de “orgia pura” e afirmou que o conteúdo do celular de Vorcaro revelará quem participou de encontros, festas e outros episódios ligados ao ex-banqueiro. O petista também voltou seus ataques contra Flávio Bolsonaro, a quem atribuiu supostas relações financeiras e pessoais com Vorcaro. Lula afirmou ainda que “todo mundo que cometeu erro” deve ser julgado, incluindo integrantes do próprio STF, mas evitou uma crítica direta a Moraes e chegou a elogiar sua atuação em episódios anteriores.
A estratégia eleitoral ocorre depois de a crise no Supremo passar a ser tratada dentro da própria campanha como um possível passivo para Lula. O Poder360 apurou que o grupo pretende enfatizar que Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer (MDB) e já tomou decisões contrárias ao petista, enquanto desloca a narrativa do caso Master para Vorcaro e para personagens ligados ao banco.

