A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a terceira fase da Operação Vectura Corrupta, investigação que apura uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público e em estruturas políticas do estado. Segundo os investigadores, ao menos 12 empresas de ônibus que operam na capital seriam controladas direta ou indiretamente pela facção, com suspeitas de fraudes em licitações e interferência na gestão das companhias. A Justiça autorizou 16 prisões e 18 buscas e apreensões em sete cidades paulistas.
Entre os principais alvos está Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e atualmente dirigente estadual da Federação União Progressista. Ele não havia sido localizado pela polícia durante as primeiras diligências. Também são investigados Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Morgado (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e candidato a deputado estadual. Segundo a apuração, Levi teria mantido encontros com um suposto intermediário do PCC para discutir interesses relacionados às empresas de transporte, enquanto a campanha de Morgado em 2024 teria recebido financiamento da organização criminosa.
A atuação é resultado de uma investigação iniciada em 2024, quando a Operação Decúrio identificou uma rede usada pelo PCC para manter comunicação entre integrantes presos e em liberdade. A apuração revelou a chamada “Sintonia dos Gravatas”, formada, segundo o Ministério Público, por advogados que atuariam além das funções profissionais em benefício da facção, e também indícios de um projeto para financiar e lançar candidatos nas eleições municipais. Nas fases seguintes, os investigadores avançaram sobre empresas, servidores públicos e estruturas financeiras, até identificar a possível presença do PCC no transporte coletivo e seu envolvimento no financiamento de campanhas de 2024 e das eleições de 2026.

