A ofensiva de Michelle Bolsonaro (PL) contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) tem se tornado um dos principais fatores de desgaste dentro do partido e, na prática, acaba fortalecendo a pré-campanha de Lula. Ao republicar em suas redes sociais um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) sobre festas promovidas por Daniel Vorcaro, do Banco Master, a ex-primeira-dama insinuou a participação do senador nesses eventos, o que foi prontamente negado por ele. A disputa familiar expõe divisões no campo conservador e abre espaço para o avanço do petista na corrida eleitoral.
Flávio Bolsonaro reagiu às acusações e afirmou que sua única relação com Vorcaro foi a busca de financiamento para o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). O senador classificou Michelle como “completamente desinformada” ao associá-lo às festas mencionadas por Garotinho. A crise se intensificou após Michelle deixar a presidência do PL Mulher, movimento que foi visto com alívio por aliados de Flávio, que acreditam que sua saída temporária dos holofotes pode reduzir o impacto negativo sobre a pré-campanha.
Nos bastidores, a saída de Michelle abriu disputa pelo comando do PL Mulher, atualmente liderado interinamente por Priscila Costa. O setor feminino do partido recebeu R$ 16,2 milhões em 2026, o que aumenta a competição interna pelo controle da estrutura. Além disso, Michelle teria alertado Valdemar da Costa Neto sobre possíveis novos escândalos envolvendo Flávio, prometendo revelações até a eleição. A postura da ex-primeira-dama, ao atacar diretamente o enteado, reforça o desgaste do bolsonarismo e, indiretamente, favorece o líder da esquerda, que se beneficia da divisão entre seus principais adversários.

