O ex-funcionário Edson Claro Medeiros Júnior relatou à Polícia Federal que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, o ameaçou de morte durante uma reunião em São Paulo. Segundo o depoimento, prestado em setembro, Antunes exigia a entrega de celulares, notebooks e um iPad, acreditando que os aparelhos continham informações sigilosas sobre suas atividades. “Se você não me entregar os aparelhos e abrir a boca, eu vou meter uma bala na sua cabeça”, teria dito o investigado. O caso veio à tona na quinta-feira (4), em meio às apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
No mesmo depoimento, Edson afirmou que Careca do INSS mantinha pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula. Além da mesada, o delator disse que houve repasse de aproximadamente R$ 25 milhões, sem especificação da forma. A CPMI apura se esses valores indicam uma relação empresarial entre Lulinha e Antunes, já apontado como sócio oculto em negócios ligados à empresa World Cannabis.
Edson Claro também declarou que foi convocado pela advogada de Antunes para uma reunião em junho, ocasião em que ocorreram as ameaças. Ele disse que atuava como diretor-executivo da World Cannabis, mas descobriu que a empresa pertencia majoritariamente ao próprio Careca e ao filho dele, Romeu Carvalho Antunes. O inquérito registra ainda dívidas e disputas comerciais entre as partes, envolvendo veículos e bens. Apesar das denúncias, congressistas governistas impediram que Edson fosse ouvido pela CPMI, o que levantou atenção sobre a condução das investigações relacionadas ao governo Lula e a possível influência do Planalto para blindar o entorno do chefe do Executivo.

