O Ministério das Relações Exteriores informou à Câmara dos Deputados que o general venezuelano Luis Gerardo Reyes Rivero recebeu aprovação para atuar como adido militar da Venezuela no Brasil. A decisão foi tomada após análise do Ministério da Defesa, que não identificou impedimentos para a nomeação. O oficial está sob sanções dos Estados Unidos desde novembro de 2024, acusado de envolvimento na repressão de manifestações contra o regime chavista. O aval foi formalizado por meio de nota verbal encaminhada à Embaixada da Venezuela.
Em esclarecimentos prestados pelo chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty destacou que sua função é apenas comunicar o resultado da avaliação conduzida pela Defesa, sem participar da análise de mérito. O ministro explicou que a pasta comandada por José Múcio Monteiro considerou não haver óbice à concessão do beneplácito. Vieira acrescentou que esse tipo de comunicação entre governos é protegido pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, o que impede sua divulgação pública. Em resposta à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, o chanceler afirmou que não foram encontrados precedentes semelhantes nos registros da pasta.
O episódio ganha relevância por envolver um militar acusado de repressão política e já sancionado por medidas de pressão adotadas pelo governo Trump, em meio a atritos entre o governo Lula e Washington. A decisão, considerada inédita, foi confirmada oficialmente pelo Itamaraty, que reiterou que a responsabilidade pela análise coube exclusivamente ao Ministério da Defesa. A aprovação, no entanto, pode aumentar a tensão nas relações diplomáticas entre Brasília e os Estados Unidos.

