O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, declarou que o Brasil não irá colaborar com os Estados Unidos para forçar a saída do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Amorim afirmou que caberá ao próprio líder venezuelano decidir se deve deixar o poder, reforçando que o Governo Federal não imporá qualquer exigência nesse sentido. A posição evidencia a escolha do governo Lula de manter distância das iniciativas norte-americanas voltadas para a mudança de comando em Caracas.
Na mesma entrevista, Amorim reconheceu que houve controvérsia nas eleições presidenciais venezuelanas, mas descartou qualquer apoio a uma intervenção militar dos Estados Unidos. Ele argumentou que “se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”. O posicionamento ocorre em meio a uma escalada de tensões, já que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa Maduro de chefiar um cartel de drogas e intensificou operações militares no Caribe e no Pacífico contra embarcações ligadas ao narcotráfico. Trump também anunciou que ataques contra alvos em terra devem ocorrer em breve.
Enquanto isso, Maduro tenta mobilizar apoio externo e chegou a pedir que brasileiros saíssem às ruas em defesa da Venezuela, em um discurso transmitido na quinta-feira (4). Usando um boné do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), o ditador apelou em “portunhol” por solidariedade ao regime. Apesar do apelo, não houve reação pública no Brasil, nem mesmo do governo Lula, que nos últimos meses tem adotado postura mais discreta em relação ao país vizinho. A ausência de apoio reforça o isolamento de Maduro, mesmo diante da pressão militar norte-americana, que já deslocou caças, navios e 15 mil homens para a região do Caribe.










