Lula reconheceu nesta segunda-feira (12) que os brasileiros têm razão em reclamar do preço dos alimentos, um dos principais problemas enfrentados durante seu atual mandato. A declaração ocorre enquanto o petista tenta reverter a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas para o segundo turno presidencial. Após participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Lula admitiu que o governo federal ainda precisa encontrar maneiras de reduzir o custo da alimentação. “Eu acho que o povo tem razão de dizer: ‘Olha, estão caras as coisas’”, afirmou, acrescentando que não há espaço para relativizar a insatisfação dos consumidores.
O reconhecimento ocorre após a divulgação dos dados de setembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou inflação de 0,82% no mês e acumulou 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. Segundo o IBGE, o grupo alimentação e bebidas subiu 0,83%, enquanto os produtos consumidos dentro de casa ficaram 0,96% mais caros. Tomate, batata-inglesa e cebola estiveram entre os itens que pressionaram os preços. O resultado interrompeu uma sequência de três meses de queda dos alimentos e recolocou o custo da cesta básica no centro da disputa eleitoral.
Ao justificar a situação, Lula atribuiu parte da pressão inflacionária às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que afetam os mercados internacionais de fertilizantes e petróleo, mas não fez menção às políticas económicas do seu governo. O petista afirmou que já destinou mais de R$ 50 bilhões em subsídios para conter o aumento dos combustíveis e evitar novos repasses aos alimentos. Também sustentou que a inflação acumulada da alimentação durante seu mandato foi inferior à registrada de Jair Bolsonaro. Apesar dessa comparação, reconheceu que os preços continuam elevados.

