A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, registrou em cartório que sofreu pressões para realizar delação contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes mesmo da operação da Polícia Federal. O documento foi assinado em 3 de setembro de 2026, uma semana antes da ação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A cinebiografia aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e o caso ganhou destaque por envolver suspeitas de uso de recursos públicos e financiamento privado.
No registro, Karina afirma ter sido procurada por três interlocutores diferentes: Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, em maio; um pastor, em agosto; e um jornalista, em setembro. Segundo ela, os contatos sugeriam que uma colaboração premiada poderia ser usada contra Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. A produtora relatou que Sarney teria mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino, enquanto o pastor teria citado vínculos com integrantes do governo e até com a primeira-dama Janja Lula da Silva. O jornalista, por sua vez, teria alertado que Karina poderia ser alvo de medidas judiciais caso não aceitasse colaborar.
A operação da PF, realizada em 10 de setembro, apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme. O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares propostas por Mario Frias (PL-SP), apontado pela PF como “agente central” do esquema. Apesar disso, não há confirmação de que os recursos tenham sido destinados diretamente à produção da obra. O episódio reforça críticas ao governo, já que interlocutores ligados ao entorno do petista foram mencionados nos relatos da produtora, ampliando a dimensão política do caso.

