A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão em investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos estão o deputado bolsonarista Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, além de entidades ligadas a ela, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A operação, batizada de “Make Up”, apura supostos desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob relatoria do ministro Flávio Dino, indicado por Lula, que acompanha o inquérito sobre o uso irregular de emendas parlamentares. Paralelamente, o ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, conduz investigação sobre repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária. A delação homologada na quarta-feira (9) por Mendonça detalhou movimentações de mais de US$ 12 milhões em favor da produção, levantando novas suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.
Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), auditorias identificaram indícios de desvio de R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias às entidades de Karina Gama. Além disso, contratos da produtora com a Prefeitura de São Paulo, avaliados em R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi na periferia, também estão sob investigação. A PF aponta que o esquema envolvia agentes públicos e privados, com movimentações de centenas de milhões de reais até julho deste ano.

